segunda-feira, 12 de setembro de 2016

NINFA


Eu pensei que acreditar em ninfas era coisa de criança.
Até eu ver aquela que pra mim seria por muitos dias a dona dos meus sonhos.
Mesmo sem que eu queira lá está ela no meu descanso, é fechar os olhos e logo vejo seu cabelo a balançar com o vento e inebriar cada movimento do meu sonho.


Quando a vi pela primeira vez foi incrível, eu estava lá deitado sobre a grama num dia ensolarado no parque do Ibirapuera, e uma bola interrompeu meus pensamentos, quando a segurei procurei o dono ou quem a jogou em mim e ela veio, com seus  cabelos negros, seu sorriso me deixando tonto, eu não soube o que falar, mas logo ela interrompeu meu pasmo pensamento com palavras.

- Desculpe, machucou?
- Não... Eu...
- Prazer Angela...
- Victor...
- Pode me passar a bola.
- A claro.

E lá ele ia sorrindo e ficando marcada na minha memória.
Eu voltei várias vezes ao mesmo lugar e nunca a via mas, Angela envolvia meus sonhos e pensamentos.
Passei vários e vários desses dias desenhando seu rosto, tentando reproduzir aquele sorriso maravilhoso.

Passaram-se meses e eu fiz uma viagem para o Chile. Tudo era tão normal que eu não reparei em nenhuma diferença, já tinha feito aquela viagem outras vezes. Tinha preparado minhas leituras para o avião. Quando peguei o livro do Senhor dos Anéis para ler, livro esse que a muito tento ler e sempre sou interrompido, senti um toque leve no ombro e uma voz que a meses procurei ouvir de novo.

- Victor, nossa quanto tempo ein.
Uau ela lembrou do meu nome. - Sim muito tempo. Eu não sabia o que responder naquela hora.
- O que você vai fazer no Chile? Me senti um bobo perguntando aquilo.
- Tenho parentes lá, vou visitar eles. E você?
- Vou apenas passear, eu sempre passo no Chile atrás de pensamentos novos e adrenalina e em busca de fotos que só consigo aqui.
- Fotos? Uau, que maneiro.
- É, isso é um antigo hobby meu, que foi ficando sério a cada viagem e hoje trás muito mais do que hobby algumas eu vendo e são publicadas.
- Mas, são fotos do que?
- De tudo, daquilo que gosto ou que me chama a atenção, geralmente foto de pessoas comuns fazendo coisas comuns em lugares de tirar o folego, paisagens maravilhosas que o Chile tem e gosto das montanhas.
- Então pronto, sempre quis que alguém me fotografasse no Chile, topa me fotografar?
Eu fiquei sem palavras, mas sem excitar minha língua foi muito mais rápida do que meu cérebro.
- Sim eu faço.

Passei o resto da viagem pensando no que respondi, será que foi certo responder tão assim de pronto?
Será que eu fiz certo? Ou será que pensei com meus hormônios?
Eu fiquei com o livro aberto nas páginas do condado fingindo que estava lendo mas, pouco me importava com o que aquele maldito um anel representava, eu estava mais focado no que eu respondera a Angela.

No primeiro dia no Chile, fiz o de sempre sem ao menos me lembrar daquilo que falara no avião, com certeza ela iria esquecer e outra ela deve ter uma paixão aqui em terras chilenas.
Mas, meus sonhos pioraram, a ninfa Angela invadia eles com uma voz que me deixava em um êxtase total.

Na manhã seguinte meu whats app me trouxe uma surpresa uma mensagem dela, que dizia que estava me esperando nas montanhas em um chalé particular da sua família. Fui até lá e quando cheguei, ela queria realmente fotos, na neve.
Ela estava com um sobretudo lindo que deixava sua pele mais deslumbrante e seus cabelos contrastavam com o branco da infinito de uma forma muito linda.
Cliquei muito e rimos também a cada clique pois ela era muito brincalhona e contava muitas histórias de quando era criança e estavam ela e sua família no chalé.

Mas, o tempo começou a mudar e tivemos que entrar, nuvens escuras se formaram muito rápido e puder ver redemoinhos de neve descendo do céu, e cobrindo o chão com camadas maiores de neve branca, nossa volta para nossos respectivos lares ou quase pois eu estava hospedado em um hotel de duas estrelas que mais parecia uma pousada, estava interrompida, ficamos ali.

Ela fez um chocolate quente e passou falando mais sobre sua família, foi quando uma pergunta incomum irrompeu meu silêncio.

- Você tem algum amor aqui no Chile? Pelo que disse sempre volta aqui, tenho certeza que não é apenas por causa de fotos.

Eu fiquei embasbacado com aquela repentina pergunta, não sabia onde aquilo ia dar,

- Não eu apenas venho aqui a dois anos não tenho ninguém especial assim pra me fazer sonhar.
Mesmo sem ela saber ela era com quem eu sonhava a mais de dois meses mas, mal a conheço e como podemos ter algo nos vimos uma vez, trocamos números de celular dois meses depois sentados nas poltronas desconfortáveis do voo.  Não podia falar nada do que sentia, isso é coisa de cara doido, não existe mulher que acredite em amor a primeira vista, ou pelo menos eu não conheci quem acredita e todas as que eu me envolvi riam com essa possibilidade de um amor que arrebate seu coração em apenas um olhar.

- Que bom! Eu queria lhe dizer que prendeu minha atenção desde aquele dia no Ibira.
- Sério que isso está acontecendo? Onde estão as câmeras escondidas? Desculpe, desculpe... Você pensou em mim?
- Sim, foi engraçado, você mal me respondeu mas, seus olhos me mostraram que queria falar mais do que disse. E passei esses dois meses desenhando seu nome em papéis. Me achando boba.
- Eu desenhei você nesses dois meses por causa do seu sorriso.
- Sério?
- Sim, eu sonhei com você e desenhava seu rosto, pra não esquecer seu sorriso.

Um silêncio invadiu o local e isso cintilava como prenuncio do que aconteceria a seguir um beijo galático, cósmico, eu vi o universo explodir na minha mente e logo nos envolvíamos numa conexão tão louca que um beijo valia toda a minha viagem ao Chile.

As outras histórias dessa viagem lhes conto outro dia.

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